segunda-feira, 19 de março de 2012

Página 36 - A Vaca e o Brejo (reflexão)


No dia de sexta, não fiz muita coisa, pois tive uma indisposição estomacal. Foi um dia de repouso e muita água. Mas, antes de pensar no restabelecimento, li a mensagem abaixo, que gostaria de dividir, além de deixar registrada para, constantemente, lembrar-me dela:

"E a Vaca foi para o Brejo
Quando a China era potência mundial, nos séculos XII e XIII, temida em todos os recantos descobertos do mundo, havia entre seus habitantes o salutar hábito de ouvir os mestres. Havia, por sinal, muitos bons mestres que escolhiam seus melhores discípulos e com eles iniciavam grandes jornadas de reflexão e aprendizado que hoje conhece-se como “sabáticos”.
Mestre Y-chan estava com dois de seus melhores discípulos viajando pelo interior do país, talvez mostrando a potencialidade da terra, dos pastos, do povo. Já havia feito o mesmo percurso.
Um dia, já ao anoitecer, deparou com uma cabana, grande, confortável, próxima a um desfiladeiro com uma vista deslumbrante. A vegetação em volta era linda, com flores variadas, algumas raras, e a terra de ótima qualidade. Além do mais, era passagem obrigatória de vários viajantes daquela região.
Bateu à porta e o mesmo dono, que anos antes, em sua viagem o havia acolhido junto a seu mestre, veio receber-lhes. Novamente deu a todos comida e pousada.
Muito observador e sagaz o mestre percebeu que pouca coisa mudara, a não ser o grande número de crianças e jovens, filhos e netos do proprietário, que agora dividia a penúria.
Voltando-se para o dono, perguntou em voz alta para que seus discípulos ouvissem: “Meu bom e honrado homem, o senhor é feliz?!?!?”. “Claro! “, respondeu o proprietário, “Tenho tudo o que quero, conforto, comida e família adorável!”. “E quem lhe provê tudo isso?”, continuou o mestre. “Minha vaquinha lá fora. Dela eu tiro o leite o queijo. Também faço o pão do trigo da pequena lavoura atrás da casa. Tenho tudo o que quero e vivo feliz.”
A conversa seguiu agradável noite adentro. Antes de o sol raiar, o mestre e os discípulos saíram sem acordar os bondosos anfitriões. O mestre, após afastar-se um pouco da casa ordena a seus discípulos: “Vão até a manjedoura, tirem de lá a vaca e joguem-na no desfiladeiro! “. Ante ao espanto e incredulidade dos alferes, o mestre insistiu: “Vão e façam como digo!”. Linda vaquinha gemeu, enquanto rolava ribanceira abaixo, indo literalmente para o brejo ao fim da ribanceira. Após o repugnante feito, todos seguiram o caminho, os discípulos silenciosos, questionando a dignidade, sapiência e tudo o que de bom já haviam absorvido do mestre.
Dois anos se passaram até o retorno dos viajantes, seguindo pelo mesmo caminho, quando próximos a antiga morada depararam-se com uma hospedaria e vários pequenos estabelecimentos a volta. Na borda do desfiladeiro havia um mirante, com local para refeições, espaço para meditação e diversão para crianças.
Novamente o mestre pediu abrigo e novamente o bom homem o atendeu, lamentando ter que colocá-los em instalações improvisadas, posto que todos os quartos da hospedaria que substituiu a choupana estavam ocupados.
O que houve, bom homem? Quantas mudanças?!?!?, perguntou o mestre. “Há meu bom senhor, alguém jogou minha vaquinha no desfiladeiro, nossa, então fonte de alimento e conforto. Fiquei arrasado, quis me suicidar. Então em preces ao Senhor ele me fez olhar para o que tinha. Coloquei todos para trabalhar, comecei a cobrar pelo alimento e pousada. Com o tempo, comecei a atender todas as necessidades dos viajantes e hoje tenho este próspero comércio, com todos os meus filhos e netos empregados. “ E para espanto dos discípulos prosseguiu: “Pode parecer estranho, mas hoje agradeço a quem empurrou minha vaquinha para o brejo. De outra forma estaria passando sérias necessidades.”"

Esse conto foi, em muitos momentos, referido pelo meu pai, sempre quando eu e meus irmãos nos encontrávamos em situações de desânimo, desacreditados da vida. Essa é uma mensagem que, além de me rememorar minha infância, e o apoio que tive da minha família para chegar onde estou, me dá força em todos os momentos de maior tristeza.
Estou fazendo um curso no trabalho e, coincidentemente, essa foi a primeira mensagem passada pela tutora do curso, o que me animou ainda mais a me dedicar às suas lições.

Assim, sejamos sábios a ponto de vermos, na dificuldade, uma clara possibilidade de vitória!

Acredite sempre!
Branca.

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