No dia de
sexta, não fiz muita coisa, pois tive uma indisposição estomacal.
Foi um dia de repouso e muita água. Mas, antes de pensar no
restabelecimento, li a mensagem abaixo, que gostaria de dividir, além
de deixar registrada para, constantemente, lembrar-me dela:
"E
a Vaca foi para o Brejo
Quando
a China era potência mundial, nos séculos XII e XIII, temida em
todos os recantos descobertos do mundo, havia entre seus habitantes o
salutar hábito de ouvir os mestres. Havia, por sinal, muitos bons
mestres que escolhiam seus melhores discípulos e com eles iniciavam
grandes jornadas de reflexão e aprendizado que hoje conhece-se como
“sabáticos”.
Mestre
Y-chan estava com dois de seus melhores discípulos viajando pelo
interior do país, talvez mostrando a potencialidade da terra, dos
pastos, do povo. Já havia feito o mesmo percurso.
Um
dia, já ao anoitecer, deparou com uma cabana, grande, confortável,
próxima a um desfiladeiro com uma vista deslumbrante. A vegetação
em volta era linda, com flores variadas, algumas raras, e a terra de
ótima qualidade. Além do mais, era passagem obrigatória de vários
viajantes daquela região.
Bateu
à porta e o mesmo dono, que anos antes, em sua viagem o havia
acolhido junto a seu mestre, veio receber-lhes. Novamente deu a todos
comida e pousada.
Muito
observador e sagaz o mestre percebeu que pouca coisa mudara, a não
ser o grande número de crianças e jovens, filhos e netos do
proprietário, que agora dividia a penúria.
Voltando-se
para o dono, perguntou em voz alta para que seus discípulos
ouvissem: “Meu bom e honrado homem, o senhor é feliz?!?!?”.
“Claro! “, respondeu o proprietário, “Tenho tudo o que quero,
conforto, comida e família adorável!”. “E quem lhe provê tudo
isso?”, continuou o mestre. “Minha vaquinha lá fora. Dela eu
tiro o leite o queijo. Também faço o pão do trigo da pequena
lavoura atrás da casa. Tenho tudo o que quero e vivo feliz.”
A
conversa seguiu agradável noite adentro. Antes de o sol raiar, o
mestre e os discípulos saíram sem acordar os bondosos anfitriões.
O mestre, após afastar-se um pouco da casa ordena a seus discípulos:
“Vão até a manjedoura, tirem de lá a vaca e joguem-na no
desfiladeiro! “. Ante ao espanto e incredulidade dos alferes, o
mestre insistiu: “Vão e façam como digo!”. Linda vaquinha
gemeu, enquanto rolava ribanceira abaixo, indo literalmente para o
brejo ao fim da ribanceira. Após o repugnante feito, todos seguiram
o caminho, os discípulos silenciosos, questionando a dignidade,
sapiência e tudo o que de bom já haviam absorvido do mestre.
Dois
anos se passaram até o retorno dos viajantes, seguindo pelo mesmo
caminho, quando próximos a antiga morada depararam-se com uma
hospedaria e vários pequenos estabelecimentos a volta. Na borda do
desfiladeiro havia um mirante, com local para refeições, espaço
para meditação e diversão para crianças.
Novamente
o mestre pediu abrigo e novamente o bom homem o atendeu, lamentando
ter que colocá-los em instalações improvisadas, posto que todos os
quartos da hospedaria que substituiu a choupana estavam ocupados.
“O
que houve, bom homem? Quantas mudanças?!?!?, perguntou o mestre. “Há
meu bom senhor, alguém jogou minha vaquinha no desfiladeiro, nossa,
então fonte de alimento e conforto. Fiquei arrasado, quis me
suicidar. Então em preces ao Senhor ele me fez olhar para o que
tinha. Coloquei todos para trabalhar, comecei a cobrar pelo alimento
e pousada. Com o tempo, comecei a atender todas as necessidades dos
viajantes e hoje tenho este próspero comércio, com todos os meus
filhos e netos empregados. “ E para espanto dos discípulos
prosseguiu: “Pode parecer estranho, mas hoje agradeço a quem
empurrou minha vaquinha para o brejo. De outra forma estaria passando
sérias necessidades.”"

Esse
conto foi, em muitos momentos, referido pelo meu pai, sempre quando
eu e meus irmãos nos encontrávamos em situações de desânimo,
desacreditados da vida. Essa é uma mensagem que, além de me
rememorar minha infância, e o apoio que tive da minha família para
chegar onde estou, me dá força em todos os momentos de maior
tristeza.
Estou
fazendo um curso no trabalho e, coincidentemente, essa foi a primeira
mensagem passada pela tutora do curso, o que me animou ainda mais a
me dedicar às suas lições.
Assim,
sejamos sábios a ponto de vermos, na dificuldade, uma clara
possibilidade de vitória!
Acredite
sempre!
Branca.